Porreta!
Esse teu cheiro
Porreta
Me deixa
Com treta.
Nem quero
Pensar ...
Esse cheiro
De macho
Me envolve,
E me pega,
E só no amor
Vens me
Embrehar.
O cheiro de amor é vida
Pedindo, outra vida!
Londres – 11/9/90
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Queria ser criança,
Hoje.
Ganhei um sorvete,
Pulei na grama.
Vi crianças pulando,
Sentindo menina,
Chorei sorrindo,
Sem mamãe zangar.
Chorei sentada,
Querendo chorar.
Queria ser criança,
Hoje.
Pintar, brincar, correr.
Subir em árvore,
Sentindo o que os grandes
Não sentem.
Prá ser sincera,
Ser gente,
E até cantar parabéns.
Sim - parabéns!
Batendo palma
A sorrir de emoção.
Queria ser criança
Num dia estirado.
Sim - queria nesse dia
Ser criança,
Pra sentir bem perto de você, Thiago!
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Venha ver...
Eu,
Ardente de desejo,
Louca pelo beijo,
Aquêle de você.
Venha ver...
Eu,
Sedenta dessa água
Que acalma,
Alivia e satisfaz.
Venha ver ...
Eu
Gritando seu nome
Tão alto,
Baixinho,
Que me sufoca
Escutar.
Venha ver
A fera braba
Que seu carinho
Amansa.
Domesticas o animal.
Venha ...
Seja carinho, luz, calor.
Mas venha forte,
De mansinho.
E sua àurea
Seja o amor.
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Sujo, matrapilho
Faminto.
Roupa rasgada,
Embaçada
Como estômago.
No lixo,
O biscoito
E ele afoito.
Como não pegar?
Olhos vidrados,
A fome a roncar.
O povo passa.
No olhar infantilizado,
Ele quer disfarçar.
Brincando, encosta no balde.
Emoção ...
É esperdício.
Não - não pode deixar.
Com olhar vidrado,
E mão hábil
De ladrão,
Pega o biscoito.
Come.
Como bate o coração!
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Emoção,
Ênfase,
Nos fazem capazes.
No encantamento
De por - de - sol,
No desabrochar das flores
Que tanto bem nos fazem
Poesia
É tão sublime,
Não se pode explicar.
Do poeta: sentido,
Meio de desabafar
Como a natureza
Da flor a embelezar.
Pura abstrata na formação.
Não se pode ensinar
À quem não sabe entender
À quem não sabe amar.
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Me liberte.
Me liberte pra ser criança – nascer de novo.
E no balançar do tempo as emoções falcejar,
Vendo em tudo a esperança.
O amanhã haverá.
Me liberte na melodia,
Quero sentir a magia,
Em harmonia, cantando.
Me liberte.
Quero voar – sentir as nuvens.
Nadar no fundo dos mares,
Atravessar as montanhas,
Galgar Alpes e andar no gêlo.
Me liberte
Ao perfume das flôres,
Da beleza que dizem e nada pedem.
À Candura dos anjos,
Na vida simples, normal.
Me liberte
Pra eu falar comigo
E também com meus amigos,
É ter como pedir a Deus.
Liberte meus pensamentos
E os próprios argumentos,
Para eu nada querer somar.
Preciso abrir os braços pras cores,
Elevar as mãos aos céus.
Ser amor em pedra fria
Para poder ser eu.
Me liberte.
Me liberte pra ser árvore,
Balançando as folhas, pedindo chuva.
Ser ar, alimentando o vento,
Levando o mal pra o além.
Me liberte, preciso ser sol
Pra na fresta da janela,
Ver a luz tênue entrar.
Me liberte
Liberte o meu grito,
Naquele, eu, tão bonito,
Pois quero, de novo, amar.
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Poder confiar,
Ter alguém,
Ser alguém.
Apoio,
Coragem,
Vontade.
Chore sorrindo
No palco da vida
A interpretar.
Comentando
Cada ator:
Palhaço,
Sério,
Carrancudo,
Alegre.
Cheio de vazio,
Equilibrando
O viver.
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